O papel do supermercado no consumo de carne bovina no Brasil mudou — e de forma definitiva. Mais do que um canal de abastecimento, ele se tornou o principal ponto de decisão do consumidor.
Uma pesquisa nacional conduzida pelo Instituto Qualibest, a pedido do A Carne do Futuro é Animal, revela que 69% das compras de carne bovina acontecem em hiper e supermercados. Isso posiciona o ponto de venda como o espaço onde confiança, percepção de qualidade e decisão de compra se encontram.
Consumo frequente mantém a carne bovina no centro da rotina
Apesar das transformações no consumo alimentar, a carne bovina segue altamente presente no dia a dia do brasileiro.
- 63% consomem carne duas ou mais vezes por semana
- 21% consomem ao menos uma vez por semana
- 73% têm o almoço em casa como principal ocasião
- 62% associam o consumo ao churrasco
Esses dados reforçam que a carne não é um item eventual — ela faz parte da rotina. E isso eleva o nível de exigência sobre o varejo, já que decisões recorrentes tornam o consumidor mais crítico e seletivo.
O novo consumidor: racional, atento e exigente
No ponto de venda, a decisão de compra é guiada por critérios objetivos, mas também por valores.
Os principais fatores considerados são:
- Preço (66%)
- Frescor (45%)
- Data de validade (40%)
Ao mesmo tempo, cresce a importância de atributos intangíveis:
- 78% consideram essencial que a carne seja produzida de forma sustentável
- Há forte demanda por informações sobre origem, rastreabilidade e bem-estar animal
Na prática, isso significa que o consumidor compra com base em dois eixos simultâneos: custo-benefício e confiança.
Confiança alta, mas com demanda por transparência
A percepção sobre a carne bovina brasileira continua positiva:
- 80% avaliam a qualidade como boa ou ótima
- 91% reconhecem benefícios à saúde
- 82% destacam a proteína como principal atributo
- 57% mencionam ferro e vitaminas
Mas essa confiança já não é automática. O consumidor quer validação no ponto de venda — informações claras, visíveis e verificáveis.
Ou seja, não basta prometer qualidade. É preciso comprová-la na gôndola.
Sustentabilidade e bem-estar animal viram valor comercial
Um dos insights mais relevantes da pesquisa é a disposição do consumidor em pagar mais por garantias.
- Origem da carne:
- 44% pagariam um pouco mais
- 19% pagariam mais
- Certificações de sustentabilidade:
- 51% pagariam um pouco mais
- 22% pagariam mais
- Bem-estar animal:
- 49% pagariam um pouco mais
- 24% pagariam mais
Esse comportamento mostra que atributos antes considerados institucionais agora têm impacto direto na conversão de vendas.
Preferências e abertura para novas proteínas
A pesquisa também aponta tendências importantes no comportamento do consumidor:
- A carne Angus aparece como a preferida para 37% dos entrevistados
- Sobre carne vegetal:
- 26% nunca consumiram e não têm interesse
- 26% nunca consumiram, mas têm interesse
- 24% consomem ocasionalmente
- Sobre carne cultivada:
- 37% conhecem o conceito
- 63% ainda não conhecem
Embora a carne tradicional siga dominante, há uma abertura gradual para alternativas — o que indica um mercado em transição, mas ainda longe de ruptura.
O PDV como palco de decisão e credibilidade
A principal conclusão do estudo é clara: o supermercado deixou de ser apenas um canal e passou a ser o principal construtor de percepção da categoria.
Como destaca Nicholas Vital, o desafio do varejo está em equilibrar execução e comunicação:
- Operação impecável (sortimento, abastecimento, qualidade)
- Comunicação simples e didática
- Transparência nas informações
Em um cenário onde o consumidor exige mais, o ponto de venda se torna o elo mais crítico da cadeia.
O que isso significa para o varejo da carne bovina
A pesquisa aponta caminhos claros para supermercadistas e indústrias:
- Investir em sinalização de origem e rastreabilidade
- Destacar certificações no ponto de venda
- Trabalhar storytelling de produto (raça, procedência, manejo)
- Integrar tecnologia para informar melhor o consumidor
- Transformar a gôndola em experiência, não apenas exposição
No fim, a disputa não é apenas por preço — é por confiança.
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