O calendário fiscal de 2026 já começa a gerar movimentação intensa entre médicos, advogados, arquitetos e outros profissionais liberais que atuam como pessoas jurídicas. Mais de 2 milhões de profissionais estão enquadrados no Simples Nacional ou no Lucro Presumido, segundo dados da Receita Federal de novembro de 2025. Esse grupo se prepara para um dos momentos mais críticos da última década: a combinação da fase inicial da reforma tributária com a possível atualização das tabelas do Simples, prevista pelo Ministério da Fazenda para o primeiro semestre.
Impacto direto da revisão do Simples
Um levantamento do Comitê Gestor do Simples estima que até 360 mil negócios de serviços intelectuais podem mudar de faixa ou de anexo caso a revisão seja aprovada. Isso significa que milhares de profissionais precisarão reavaliar seus enquadramentos fiscais e projetar novos cenários para remuneração, pró-labore e distribuição de lucros.
Paralelamente, a Receita Federal prepara mudanças nas deduções e regras de despesas do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e das empresas uniprofissionais, o que deve alterar a forma como esses profissionais estruturam sua contabilidade.
O alerta dos especialistas
Para Mayra Saitta, advogada tributarista e fundadora do Grupo Saitta, o momento exige ação imediata:
“Estamos no fechamento do ano-base de 2025, e os próximos 60 dias são decisivos. Muitos profissionais continuam com enquadramentos antigos, sem revisão técnica. Com a transição do IBS e da CBS avançando em 2026, quem não organizar agora corre risco de autuação por inconsistência documental.”
A fase operacional da reforma, que começa em janeiro, trará padronização de cadastros e testes do sistema nacional de créditos, aumentando a vigilância sobre setores que utilizam modelos societários flexíveis.
Profissões mais impactadas
- Médicos: cerca de 40% atuam como pessoas jurídicas, segundo o Ipea.
- Advogados: mais de 310 mil CNPJs ativos, conforme o Censo Jurídico de 2024.
- Arquitetos: serviços de projeto e consultoria estão entre os mais afetados pela revisão de anexos.
Em todos os casos, a distribuição de lucros é o ponto mais sensível. A fiscalização digital permite cruzar dados de faturamento, pró-labore e retenções em minutos, aumentando o risco para quem não documentar corretamente.
O que fazer antes da virada fiscal
Especialistas recomendam três frentes de ação imediata:
- Revisar enquadramento fiscal – avaliar se o regime atual ainda é o mais vantajoso.
- Ajustar remuneração societária – organizar pró-labore e distribuição de lucros com base nas novas regras.
- Organizar comprovantes de despesas dedutíveis – garantir conformidade documental para evitar autuações.
A previsão é que janeiro inaugure um ciclo de maior padronização e exigências digitais, exigindo adaptação contínua dos profissionais liberais.
Conclusão
A revisão do Simples e as novas regras do IR não representam apenas ajustes técnicos, mas uma mudança estrutural no modo como profissionais liberais administram seus negócios. O desafio vai além das alíquotas: está na conformidade documental e na capacidade de adaptação a um sistema tributário mais simples, porém muito mais rigoroso e digitalizado.
Quem se preparar agora terá maior segurança para atravessar a transição e aproveitar oportunidades em um cenário que promete transformar profundamente a relação entre profissionais liberais e o fisco nos próximos anos.
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