O setor de shopping centers no Brasil alcançou um marco histórico: mais de R$ 200 bilhões em faturamento anual, consolidando-se como um dos pilares da economia nacional. O anúncio ganha ainda mais relevância em 2026, ano em que a Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers) celebra meio século de atuação, acompanhando os 60 anos de história desse mercado no país.
Shoppings: de espaços de compra a hubs de convivência
Os dados do novo Censo Abrasce revelam um cenário de maturidade e transformação. Se antes os shopping centers eram vistos apenas como locais de consumo, hoje se consolidam como centros de lazer, serviços e conveniência.
- Tempo médio de permanência: 80 minutos, o maior já registrado.
- Mix de operações: cerca de 90% dos empreendimentos oferecem serviços além do varejo, como academias, clínicas médicas e espaços de estética.
- Experiência do consumidor: foco em convivência e bem-estar, tornando os shoppings verdadeiros “oásis urbanos”.
Glauco Humai, presidente da Abrasce, resume:
“A capacidade de adaptação ágil, incorporando opções focadas em experiência, foi o que permitiu ao setor fechar 2025 com mais espaço na vida do brasileiro, mesmo diante de desafios econômicos.”
Radiografia do setor de shopping centers em 2025
O Censo Abrasce traz números que dimensionam a força dessa indústria:
- 658 shoppings em operação em 253 cidades.
- Área Bruta Locável (ABL): 18,3 milhões de m².
- Empregos diretos: mais de 1 milhão, alta de 1% em relação ao ano anterior.
- Perfil dos empreendimentos: 60% de porte pequeno ou médio; outlets e open malls cresceram de 13,8% para 16% de participação.
- Fluxo mensal: 471 milhões de visitantes.
- Taxa de ocupação: 95,4%, comprovando a vitalidade dos espaços físicos.
A era dos dados e a interiorização
Há 25 anos, a Abrasce iniciou a coleta sistemática de informações do setor, criando o Censo Brasileiro de Shopping Centers. Desde então, os números mostram crescimento consistente:
- Empreendimentos: aumento médio de 18,9% a cada cinco anos.
- ABL: avanço de 30,4%.
- Lojas: crescimento de 31,2%.
- Empregos diretos: salto de 328 mil em 2000 para 1,083 milhão em 2025.
- Faturamento: crescimento médio de 56,1% por quinquênio, culminando no recorde atual de R$ 201 bilhões.
Um dos movimentos mais marcantes é a interiorização: em 2015, os shoppings estavam presentes em 196 municípios; em 2025, já são 253 cidades — expansão territorial de 29% em dez anos. Hoje, mais da metade dos empreendimentos está fora das capitais, tornando-se polos de desenvolvimento regional.
- Sudeste: líder em faturamento (57%).
- Nordeste: maior produtividade, com média de R$ 350,4 milhões por shopping.
- Norte: destaque em infraestrutura, liderando o aumento de vagas de estacionamento.
Perspectivas dos shopping centers para 2026
O otimismo marca o cinquentenário da Abrasce. Estão previstas 11 inaugurações de novos shoppings, sendo seis na região Sudeste. A projeção de crescimento para o setor é de 1,4%.
Humai conclui:
“Chegamos aos 50 anos com um setor forte, resiliente e em constante evolução. O shopping do futuro é aquele que resolve a vida do consumidor em um só lugar, oferecendo segurança, entretenimento e conexão humana.”


