A NRF 2026 – Retail’s Big Show, maior evento global do varejo realizado em Nova York, deixou claro que o futuro do setor não será apenas digital, mas inteligente. A discussão sobre Inteligência Artificial (IA) evoluiu: não se trata mais de adotar ou experimentar, mas de alcançar maturidade operacional.
Segundo Fabrizzio Topper, diretor da Quality Digital, “2026 não será sobre experimentar IA, mas sobre operar empresas como sistemas inteligentes, preditivos e agênticos”.
Do digital ao inteligente: a nova fase da transformação
O varejo já superou a dúvida sobre usar ou não IA. Agora, o desafio é quem consegue operar negócios inteiros com esse nível de inteligência. A transformação deixou de ser apenas digital e passou a ser operacional, econômica e cultural, impactando diretamente:
- Estoque
- Logística
- Pagamentos
- Capital de giro
- Experiência do cliente
- Margem de lucro
Casos práticos apresentados por big techs
Nos encontros com executivos da AWS e do Google, a IA foi apresentada como resposta à impossibilidade humana de escalar decisões complexas. Entre os exemplos:
- Previsão logística antes da compra acontecer
- Automação de embalagens baseada em dados reais
- Operações híbridas entre pessoas e robôs guiadas por custo marginal
Thiago Couto, executivo da AWS, resumiu:
“Não começamos a usar IA porque era tendência. Começamos porque era impossível escalar sem ela.”
O verdadeiro gargalo: dados e governança
O consenso entre especialistas é que o problema raramente está nos modelos de IA, mas na qualidade dos dados e na governança. Projetos desconectados de estratégia, indicadores e retorno financeiro tendem a fracassar. Já iniciativas ancoradas em problemas reais conseguem escalar.
NRF: O varejo brasileiro está mais preparado do que imagina
A experiência histórica de operar em ambientes de juros elevados, rupturas logísticas e alta complexidade criou uma base de resiliência que favorece a adoção de IA aplicada. Casos como:
- Automação comercial
- Prateleira infinita
- Logística orientada por dados
- Pagamentos invisíveis
já mostram ganhos concretos de eficiência e receita no Brasil.
Experiência acima de preço e produto
Outro ponto reforçado na NRF é que produto e preço viraram commodities. O diferencial competitivo agora é a experiência fluida e invisível. Alessandro Ramos Luz, executivo do Google, destacou:
“Não é o cliente que abandona o carrinho. É o varejista que deixa o cliente sem comprar.”
O próximo salto: agentes inteligentes
O varejo caminha para a era dos agentes inteligentes, sistemas capazes de pesquisar, comparar, decidir, comprar e executar tarefas em nome dos consumidores. Isso redefine conceitos como busca, funil de vendas e mídia, deslocando a competição da visibilidade para a capacidade de ser escolhido por máquinas que decidem por humanos.
Nesse cenário, governança, confiança, consentimento e rastreabilidade deixam de ser periféricos e passam ao centro da estratégia.
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