Ter a casa própria continua sendo um dos maiores sonhos dos brasileiros — especialmente entre os jovens. Um estudo recente da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) mostra que 95% dos jovens das gerações Y e Z ainda aspiram conquistar um imóvel próprio, mesmo diante de um cenário marcado por juros altos, preços elevados e crescimento do aluguel nas grandes cidades.
Segundo dados do último Censo Demográfico do IBGE (2022), um em cada cinco brasileiros vive em imóveis alugados. Apesar disso, a pesquisa da PUCPR revela que o aluguel é visto como uma solução temporária, e não como um estilo de vida definitivo. Para a maioria, a casa própria continua sendo sinônimo de segurança e estabilidade na terceira idade.
Perfis de aspiração habitacional por geração
O estudo identificou três perfis distintos de relação com a moradia:
- Perfil tradicional (Boomers – 1945 a 1964): associa a posse do imóvel à segurança e ao status social.
- Perfil pragmático (Geração X – 1965 a 1984): vê o imóvel como proteção do patrimônio familiar e valorização financeira.
- Perfil flexível (Gerações Y e Z – a partir de 1985): prioriza liberdade e experiências, como viagens e mobilidade, mas ainda mantém o desejo de adquirir um imóvel no futuro.
Mesmo entre os mais jovens que valorizam a flexibilidade, o sonho da casa própria permanece vivo. Para muitos, o aluguel é apenas uma etapa transitória até que seja possível realizar esse objetivo.
Casas x apartamentos: diferenças entre gerações
Outro ponto interessante da pesquisa é a preferência pelo tipo de moradia.
- Geração Z: 75% sonham em viver em casas.
- Geração Y: 58,1% também preferem casas.
- Boomers e Geração X: apenas 38% compartilham esse desejo, enquanto quase metade dos Boomers (46,8%) prefere apartamentos, valorizando praticidade, acessibilidade e segurança.
Esse contraste reflete o chamado “efeito de experiência”: quanto mais vivências habitacionais ao longo da vida, maior o reconhecimento das vantagens práticas dos apartamentos.
O significado da casa própria no Brasil
De acordo com o pesquisador Rafael Kalinoski, responsável pelo estudo, a ideia de uma “geração aluguel” não se sustenta. O desejo pela casa própria está enraizado em fatores culturais, sociais e econômicos que atravessam gerações. Mesmo diante das dificuldades financeiras, os jovens ainda enxergam o imóvel como um objetivo de vida — seja pela segurança, pelo status ou pela realização pessoal.
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