O ano de 2026 promete marcar uma virada importante na forma como as empresas utilizam a Inteligência Artificial (IA). Mais do que uma ferramenta para gerar vantagem competitiva, a tecnologia deve se consolidar como um amplificador da qualidade organizacional, acelerando tanto os pontos fortes quanto os desafios internos de cada companhia.
Essa visão foi compartilhada por Aaron Ross, referência mundial em vendas B2B e autor de Predictable Revenue, obra que revolucionou a prospecção da Salesforce. Cofundador da empresa brasileira Receita Previsível e palestrante da Growth Conference, realizada em São Paulo pela B2B Stack, Ross destacou que a IA não cria vantagem por si só: ela intensifica o que já existe.
O cenário atual da IA nas empresas
De acordo com dados da McKinsey, 92% das organizações devem ampliar seus investimentos em IA nos próximos três anos. No entanto, apenas 1% dos líderes consideram suas empresas maduras no uso da tecnologia — ou seja, com IA integrada de forma consistente aos fluxos de trabalho e capaz de gerar impacto comercial real.
Ross alerta que essa corrida está gerando saturação e comoditização, já que muitas empresas utilizam as mesmas ferramentas e estratégias. “Quando todo mundo tem superpoderes, ninguém tem”, provocou.
Pressa e paralisia: os riscos da adoção acelerada
Segundo Ross, a ansiedade em torno da IA tem levado empresas a dois extremos perigosos:
- Pressa sem direção: organizações que implementam soluções rapidamente, mas sem clareza estratégica.
- Paralisia por perfeição: companhias que ficam congeladas tentando refinar processos antes de agir.
Nenhum desses caminhos gera vantagem real. Para o especialista, o diferencial está em ter convicção clara sobre o que se deseja construir, independentemente da velocidade do mercado.
Relacionamentos e sistemas como diferencial
Ross defende que o verdadeiro valor em 2026 estará na combinação entre relacionamentos humanos e sistemas sólidos. A IA, nesse contexto, deixa de ser protagonista e passa a ser suporte.
As empresas precisarão:
- Fortalecer vínculos internos, reduzindo ruídos e desalinhamentos.
- Cultivar relações profundas e autênticas com clientes, em um momento em que a confiança volta a ser determinante.
- Escalar relacionamentos sem perder relevância, abandonando mensagens massificadas e investindo em comunicação personalizada.
2026: um ano de clareza estratégica com o uso da inteligência artificial
Para Ross, a IA continuará indispensável, mas seu impacto dependerá da visão estratégica por trás do uso. Em um cenário em que ferramentas se tornam rapidamente acessíveis a todos, a vantagem competitiva migra de “ter a tecnologia” para como e por que utilizá-la.
“Em 2026, a IA não vai diferenciar ninguém, só vai amplificar quem você já é”, concluiu Ross.
Mais do que velocidade, o próximo ano exigirá clareza, consistência e foco humano para transformar a tecnologia em valor real.


