A possibilidade de venda de medicamentos isentos de prescrição médica (OTC) em supermercados pode provocar mudanças profundas no varejo farmacêutico brasileiro. De acordo com dados da Worldpanel by Numerator, cerca de 34% das compras realizadas em farmácias são compostas exclusivamente por produtos OTC, o que indica que esse volume de vendas poderia migrar para o varejo alimentar caso a comercialização nesses estabelecimentos avance.
Esse cenário levanta preocupações no setor farmacêutico, já que os medicamentos de venda livre representam uma parcela relevante do faturamento das drogarias.
O que são medicamentos OTC
Os medicamentos OTC (Over The Counter) são aqueles que não exigem prescrição médica para compra. Entre os produtos mais comuns dessa categoria estão:
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analgésicos
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antigripais
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antiácidos
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vitaminas
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medicamentos para alergias
Esses itens fazem parte da rotina de consumo dos brasileiros e estão presentes na maior parte das cestas de compras nas farmácias.
Caso os supermercados passem a comercializar esses produtos de forma mais ampla, a concorrência com as drogarias tende a aumentar significativamente.
Mudança pode alterar dinâmica do varejo farmacêutico
O debate ganhou força após a aprovação de um projeto de lei que permite a venda de medicamentos em supermercados, desde que sejam cumpridas exigências regulatórias, como a criação de um espaço exclusivo para a farmácia dentro do estabelecimento e a presença de um farmacêutico responsável durante o funcionamento.
A proposta busca ampliar o acesso da população aos medicamentos, principalmente em regiões onde a presença de farmácias é limitada.
No entanto, representantes do setor farmacêutico argumentam que a medida pode gerar desequilíbrio competitivo e reduzir significativamente o fluxo de clientes nas drogarias.
Supermercados podem ganhar novo fluxo de consumidores
Para o varejo alimentar, a entrada no mercado de medicamentos pode representar uma nova oportunidade de crescimento.
Os supermercados possuem algumas vantagens competitivas importantes, como:
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maior fluxo de consumidores
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conveniência de compra em um único local
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ampla capilaridade geográfica
Esses fatores podem estimular compras por impulso e aumentar o ticket médio das lojas.
Além disso, muitos consumidores já realizam compras frequentes em supermercados, o que poderia tornar a aquisição de medicamentos de venda livre mais prática.
Impactos para o setor farmacêutico
Se parte das vendas migrar para os supermercados, as farmácias terão de acelerar estratégias para manter sua competitividade.
Entre os caminhos possíveis estão:
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fortalecimento de serviços de saúde nas lojas
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ampliação de programas de fidelidade
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investimento em atendimento especializado
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expansão do e-commerce e delivery
Essas iniciativas já vêm sendo adotadas por grandes redes farmacêuticas, que buscam se posicionar cada vez mais como centros de saúde e bem-estar, e não apenas pontos de venda de medicamentos.
Tendência pode redesenhar o varejo de saúde no Brasil
A eventual liberação da venda de medicamentos em supermercados pode criar um novo capítulo na relação entre varejo alimentar e varejo farmacêutico.
Enquanto supermercados enxergam a medida como uma oportunidade para ampliar portfólio e conveniência ao consumidor, farmácias alertam para possíveis impactos em sua sustentabilidade econômica.
Independentemente do desfecho regulatório, especialistas apontam que o setor de saúde e bem-estar deve passar por transformações relevantes nos próximos anos, impulsionadas por novos modelos de consumo e pela integração entre diferentes canais de varejo.
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