A dificuldade das empresas brasileiras em encontrar profissionais qualificados atingiu um patamar preocupante. Em 2026, 80% dos empregadores relatam escassez de talentos, índice superior à média global de 72%, segundo a Pesquisa de Escassez de Talentos do ManpowerGroup.
Um problema persistente
O dado não é novo: desde 2023, o índice brasileiro se mantém praticamente estável, sempre em torno de 80%. Essa constância mostra que não se trata de uma oscilação momentânea, mas de um desafio estrutural do mercado de trabalho.
“A escassez de talentos deixou de ser um fenômeno pontual e passou a integrar a dinâmica estrutural do mercado de trabalho brasileiro”, afirma Wilma Dal Col, diretora de RH do ManpowerGroup.
Setores mais afetados pela escassez de talentos
Os segmentos que enfrentam maior dificuldade para contratar são:
- Serviços Profissionais, Científicos e Técnicos (85%)
- Informação e Tecnologia (83%)
- Comércio e Logística, Hospitalidade, Manufatura e Serviços Públicos (79%)
Regionalmente, os principais polos econômicos concentram os maiores índices:
- São Paulo: 88%
- Minas Gerais: 85%
- Rio de Janeiro: 80%
Hard skills em falta
Entre as competências técnicas mais difíceis de encontrar estão:
- Desenvolvimento de modelos e aplicações de IA
- Letramento em inteligência artificial
- TI e análise de dados
- Front office, atendimento ao cliente e marketing e vendas
Soft skills estratégicas
Além das habilidades técnicas, as soft skills se tornaram diferenciais. Profissionalismo, ética, comunicação e colaboração lideram a lista. A capacidade de elaborar prompts para IA, por exemplo, revela como a comunicação é hoje uma competência estratégica.
Como as empresas estão reagindo
Para enfrentar o cenário, as organizações têm adotado diferentes estratégias:
- Upskilling e reskilling de colaboradores (44%)
- Busca por novos pools de talentos (25%)
- Flexibilidade de localização (23%)
- Flexibilização de horários (21%)
- Ajustes salariais (18%)
- Investimentos em anúncios pagos (15%)
- Terceirização de funções (13%)
- Expansão da força de trabalho temporária (12%)
O foco crescente em capacitação interna mostra que as empresas começam a entender que a solução mais sustentável para a escassez de talentos está em desenvolver as próprias equipes.
Outro dado alarmante: 83% das equipes comerciais afirma sentir cansaço mental causado por metas, aponta pesquisa exclusiva
A pesquisa “Panorama do uso de Inteligência Artificial nas Vendas B2B no Brasil”, realizada pela Agendor com 1.031 profissionais, revelou que 83% das equipes comerciais sofrem de cansaço mental causado por metas, sendo que 29% enfrentam esse problema frequentemente. Além da pressão por resultados, fatores como excesso de tarefas operacionais e uso de múltiplas ferramentas não integradas contribuem para o desgaste.
O impacto varia conforme o porte da empresa e o setor: equipes maiores e áreas como tecnologia e serviços financeiros apresentam índices mais altos de cansaço crônico. Especialistas alertam que a pressão constante pode gerar riscos à saúde mental e defendem o uso de tecnologias para reduzir burocracia e dar mais previsibilidade ao trabalho.
Nesse cenário, a inteligência artificial surge como aliada: 82% dos vendedores acreditam que a IA pode aumentar a produtividade, automatizando tarefas e apoiando decisões estratégicas. Já hoje, ela é utilizada em atividades como pesquisa de prospects, geração de propostas e envio de follow-ups. Para a maioria dos profissionais, a tecnologia tem potencial de melhorar não apenas a eficiência, mas também a qualidade de vida no ambiente de vendas.
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