O mercado global de marcas esportivas pode estar prestes a presenciar mais um movimento estratégico relevante. A Authentic Brands Group (ABG), dona de marcas como Reebok, demonstrou interesse em adquirir a Converse — atualmente controlada pela Nike.
Embora ainda não exista negociação formal, o simples interesse já sinaliza possíveis mudanças importantes no posicionamento de grandes marcas no setor de moda e esportes.
Converse enfrenta queda e perde relevância dentro da Nike
A movimentação acontece em um momento delicado para a Converse. A marca, que já foi um ícone absoluto da cultura sneaker, vem registrando queda consistente nas vendas.
Estimativas apontam que a operação caminha para seu pior desempenho em cerca de 15 anos, com retrações significativas nos últimos trimestres.
Dentro da estrutura da Nike, a Converse tem hoje um peso relativamente pequeno:
- Representa menos de 3% da receita total da companhia
- Tem apresentado queda de até 26% em alguns períodos recentes
Esse cenário levanta uma questão estratégica: faz sentido para a Nike manter uma marca com baixa performance dentro do portfólio?
Authentic Brands: especialista em revitalizar marcas
O interesse da ABG não acontece por acaso. A companhia construiu sua estratégia global justamente com base na aquisição e reposicionamento de marcas consolidadas.
Nos últimos anos, a empresa ampliou significativamente seu portfólio, que hoje movimenta cerca de US$ 38 bilhões em vendas globais no varejo.
Um dos principais cases foi a aquisição da Reebok, que passou por um processo de reestruturação e voltou a crescer após a mudança de gestão.
O modelo da ABG é claro:
- Aquisição de marcas com forte valor cultural
- Redução de complexidade operacional
- Licenciamento e expansão via parceiros globais
- Foco em branding e distribuição
Nesse contexto, a Converse surge como um ativo com alto potencial de reposicionamento.
Por que a Nike pode considerar a venda para o Authentic Brands Group?
Apesar de ser uma gigante global, a Nike vem passando por ajustes estratégicos.
Nos últimos anos, a companhia:
- Intensificou investimentos em inovação e performance
- Reestruturou operações para ganho de eficiência
- Revisou portfólio de marcas e categorias
Além disso, a Converse pode estar desviando foco daquilo que hoje é prioridade: crescimento em categorias-chave e fortalecimento da marca principal.
Há inclusive análises de mercado que sugerem que a venda da Converse poderia ajudar a Nike a simplificar sua operação e acelerar sua recuperação em segmentos mais estratégicos.
O que está em jogo: mais do que uma aquisição
Mesmo sem negociação formal até o momento, o movimento revela tendências importantes no mercado global:
1. Consolidação via branding, não apenas operação
Empresas como a ABG mostram que o valor está cada vez mais na gestão de marca — não necessariamente na produção.
2. Portfólios mais enxutos e estratégicos
Gigantes como a Nike tendem a focar em ativos com maior retorno e alinhamento estratégico.
3. Revitalização de marcas icônicas
Marcas com forte apelo cultural continuam relevantes — desde que bem reposicionadas.
O futuro da Converse: declínio ou reinvenção?
Fundada em 1908, a Converse construiu uma das identidades mais fortes da história do varejo de moda, especialmente com modelos icônicos como o Chuck Taylor All Star.
O desafio atual não é falta de reconhecimento — é relevância.
Se permanecer sob a Nike, a marca pode passar por um reposicionamento interno.
Se for adquirida pela ABG, o caminho tende a ser outro: expansão via licenciamento, collabs e presença mais forte no lifestyle.
Independentemente do desfecho, uma coisa é clara:
O jogo no varejo global de moda não é mais sobre quem cria marcas — é sobre quem sabe reposicioná-las no tempo certo.
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