A temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 trouxe números positivos para duas empresas relevantes do varejo brasileiro: a Lojas Renner e a Alpargatas. Apesar dos resultados considerados sólidos, as ações das companhias tiveram desempenho tímido — e, em alguns momentos, até negativo — na bolsa.
O comportamento do mercado reflete um cenário mais amplo de cautela entre investidores, influenciado por fatores macroeconômicos e pela expectativa sobre os próximos passos do setor de varejo no Brasil.
Renner apresenta crescimento consistente
A LREN3, ação da Lojas Renner, chegou a subir na abertura do pregão após a divulgação do balanço, mas logo passou a oscilar entre leves altas e quedas ao longo do dia.
No quarto trimestre de 2025, a companhia registrou lucro líquido de R$ 552,6 milhões, crescimento de 13,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, o lucro atingiu R$ 1,4 bilhão, alta de 21,8%.
O resultado operacional também mostrou evolução. O Ebitda ajustado chegou a R$ 1,1 bilhão no trimestre, avanço de 9% na comparação anual, enquanto a margem Ebitda atingiu 25,6%.
Analistas destacaram ainda a melhora na margem bruta do varejo, que alcançou 56,5%, impulsionada por menor intensidade promocional, melhor gestão de preços e maior eficiência no controle de estoques.
Alpargatas volta a lucrar com força
Já a ALPA4, da Alpargatas — dona da marca Havaianas — também apresentou recuperação relevante em seus resultados financeiros.
No quarto trimestre, a empresa registrou lucro líquido de R$ 197 milhões, revertendo praticamente o resultado neutro observado no mesmo período do ano anterior.
O desempenho operacional também mostrou melhora significativa. O Ebitda ajustado da companhia chegou a R$ 211 milhões, contra apenas R$ 36 milhões um ano antes, refletindo crescimento de receita e redução de custos de produção.
Mesmo assim, as ações da empresa sofreram pressão e registraram quedas mais acentuadas durante o pregão.
Por que o mercado reagiu com cautela
Apesar dos números positivos, investidores seguem atentos a fatores externos que afetam o setor de varejo.
Entre os principais pontos de preocupação estão:
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Juros ainda elevados, que pressionam o consumo e encarecem o crédito
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Cenário macroeconômico incerto, com volatilidade global
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Expectativas moderadas para o crescimento do varejo nos próximos trimestres
Além disso, o desempenho das ações muitas vezes depende não apenas dos resultados passados, mas principalmente das expectativas futuras de crescimento e rentabilidade.
Assim, mesmo quando empresas divulgam bons números, o mercado pode reagir de forma neutra ou negativa se os investidores acreditarem que o cenário à frente será mais desafiador.
O que esperar das ações do varejo da Renner e Alpargatas
Para analistas, o desempenho do setor ao longo de 2026 dependerá principalmente de fatores macroeconômicos, como:
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trajetória da taxa de juros
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evolução do consumo das famílias
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estabilidade econômica global
Caso o ambiente econômico se torne mais favorável — especialmente com juros menores e maior confiança do consumidor — empresas como Renner e Alpargatas podem se beneficiar de um novo ciclo de crescimento no varejo.
Enquanto isso, investidores tendem a manter postura cautelosa, avaliando não apenas os resultados atuais, mas também as perspectivas de médio prazo para o setor.
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