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Liquidez também é estratégia: caso lojas Americanas

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O case das Lojas Americanas deveria entrar no radar de qualquer empresário que atua com redes, franquias ou múltiplas operações. Em janeiro de 2023, a companhia entrou em recuperação judicial com um passivo superior a R$ 40 bilhões. A resposta não veio apenas de renegociação. Veio de decisão estratégica sobre ativos.

Em 2025, a controladora das marcas Puket e Imaginarium, foi vendida por aproximadamente R$ 152,9 milhões, com valuation próximo de R$ 180 milhões. Parte relevante do plano de reestruturação da varejista, que era dona da controladora, passou por transformar ativos operacionais em liquidez. Em março de 2026, a empresa avançou ao ponto de solicitar o encerramento da recuperação judicial.

O mercado costuma interpretar venda como fraqueza. Esse é um erro clássico. Liquidez é ferramenta estratégica. Negócios rentáveis são vendidos todos os dias. Não por falha, mas por escolha. Alocação de capital, redução de risco, reorganização de portfólio ou necessidade pessoal dos sócios fazem parte da equação.

No franchising, essa dinâmica é ainda mais evidente. Unidades mudam de mãos, redes são reorganizadas e marcas passam por ciclos de consolidação. Eu mesmo já vivi essa decisão ao sair de operações do Bob’s para concentrar energia no Rei do Mate. Não foi uma saída forçada. Sou querido e gosto da marca. Foi foco operacional.

Casos muito comuns são casais de franqueados ou sócios que desfazem a união e precisam vender ou todo ou parte das unidades. Esse caso foi tema na ABF CON por ter sido bem comum para os franqueadores administrarem, tanto a questão relacional como a empresarial. O melhor dos mundos é perder o anel (alguma unidade) preservando os dedos com a manutenção do bom franqueado na rede.

Outro movimento recente reforça o ponto de defesa das franquias como negócios com alta liquidez. O Grupo Trigo assumiu a Casa do Pão de Queijo após acordo firmado em outubro de 2025, em uma operação envolvendo recuperação judicial desde 2024 e dívida próxima de R$ 57,5 milhões, com início da nova gestão em fevereiro de 2026.

O jogo do varejo e do franchising não é apenas crescer. É alocar bem capital, reduzir risco e tomar decisões no tempo certo, tanto de crescer como de vender. Negócio bom também se vende. E, quando bem posicionado, se vende melhor ainda. Exatamente como as ações que o investidor espera o momento de alta para repassa-las (vende-las).

Outra lição é sobre a liquidez de varejos com marcas franqueadas. Tanto o franqueado quanto o franqueador encontra mercado comprador de boas operações.

O único problema, daqueles que arranham a imagem do franchising, são as marcas que vendem taxa de franquias, no caso especifico taxa de repasse, independente se o futuro franqueado terá ganhos com a operação. Ficam culpando o franqueado de operar mal, criam faturamentos que a unidade não alcançará, prometendo o céu e em poucos meses viverão o inferno de um investidor com prejuízos mensais.

O repasse bem feito é ouro para todos os envolvidos, de franqueados a franqueadoras passando pelos funcionários que mantem seus empregos. A desmitificação da venda de operações nos ajudará a separar o joio do trigo.

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