A Keeta, plataforma de delivery de comida que pertence ao grupo chinês Meituan, anunciou o adiamento de sua entrada no Rio de Janeiro. A estreia estava prevista para a próxima semana, mas foi suspensa devido às cláusulas de exclusividade firmadas por concorrentes como iFood e 99Food com redes de restaurantes da cidade.
Exclusividade no mercado de delivery
Segundo a Keeta, muitos restaurantes não puderam se cadastrar na plataforma por estarem vinculados a contratos que os obrigam a operar apenas com concorrentes. O vice-presidente de Parcerias Estratégicas da Keeta Brasil, Danilo Mansano, afirmou que mais de 50% das redes de estabelecimentos estavam bloqueadas por acordos que impediam a prestação de serviços via Keeta.
“São restaurantes que não podem operar com a Keeta porque têm contratos travando com outras plataformas”, destacou Mansano.
O executivo também apontou que, no caso do iFood, a restrição envolve redes menores, enquanto a 99Food teria contratos que miram especificamente a Keeta.
Reação dos concorrentes
O iFood negou que o mercado carioca esteja fechado à concorrência e lembrou que, por determinação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), não pode firmar contratos de exclusividade com grandes redes de restaurantes e está limitado a 8% de estabelecimentos exclusivos na cidade.
Já o 99Food não respondeu aos questionamentos.
Investimentos e expansão da Keeta
Apesar do adiamento, a Keeta reforçou que mantém o compromisso de investir R$ 5,6 bilhões no Brasil ao longo de cinco anos. A operação começou em dezembro de 2025 em São Paulo, com aporte inicial de R$ 1 bilhão, e já se expandiu para cidades da região metropolitana como Guarulhos, Santo André, São Bernardo e Osasco.
No Rio de Janeiro, o plano previa investimento de R$ 400 milhões e já contava com 17 mil restaurantes cadastrados e 27 mil entregadores prontos para atuar.
Disputa judicial
A Keeta entrou na Justiça contra as cláusulas de exclusividade da 99Food e também questiona o tema junto ao Cade. Em São Paulo, a empresa já obteve decisão favorável em primeira instância, mas o caso segue em análise.
Enquanto isso, a plataforma segue crescendo em São Paulo: já são 38 mil restaurantes cadastrados, 115 mil entregadores ativos e mais de 2,8 milhões de downloads do aplicativo.
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