Entre os dias 23 e 25 de fevereiro de 2026, estarei em Las Vegas para acompanhar de perto a Convenção Anual da International Franchise Association (IFA Convention), o principal encontro global do franchising. Mais do que cumprir uma agenda institucional, estar presente nesse ambiente representa uma oportunidade concreta de leitura estratégica sobre os movimentos do franchising mundial e, portanto, de fornecer insights importantes sobre tendências, decisões e práticas do setor a quem avalia investir em franquias ou estruturar um modelo como estratégia de crescimento no Brasil.
Ênfase na qualidade do crescimento
A expectativa em relação à agenda do evento aponta para reflexões sobre a lógica do crescimento acelerado a qualquer custo versus uma expansão estruturada, baseada em critérios claros e previsibilidade de resultados. Estamos notando um franchising que continua se expandindo, mas com maior rigor na análise de rentabilidade por unidade, sustentabilidade do modelo e consistência operacional.
A liderança operacional também ganha protagonismo na programação. As discussões reforçam que o diferencial competitivo das redes está cada vez mais associado à capacidade da franqueadora de sustentar o franqueado no dia a dia, com processos bem definidos, indicadores consistentes e governança ativa. A eficiência operacional deixa de ser bastidor e passa a ser elemento estratégico do modelo.
Um dos destaques da agenda é a palestra de Codie Sanchez, que traz à baila o conceito de Contrarian Thinking. A proposta é questionar consensos consolidados do mercado e decisões tomadas por inércia, especialmente quando deixam de gerar valor econômico e operacional. No contexto do franchising, essa reflexão provoca uma análise mais crítica sobre expansão acelerada, padronizações rígidas e modelos replicados sem adaptação estratégica.
A tecnologia aparece de forma transversal nas palestras, com ênfase no uso estruturado de dados para expansão, escolha de pontos comerciais, marketing local e monitoramento de desempenho. A discussão no IFA Convention indica um setor cada vez mais orientado por inteligência analítica, no qual decisões baseadas em dados reduzem riscos e aumentam a eficiência da rede.
IFA Convention 2026: Perfil do investidor e desafios do mercado
Outro eixo relevante envolve o perfil do investidor e a complexidade do ambiente de negócios. Custos operacionais pressionam margens, consumidores estão mais exigentes e a concorrência se intensifica. Nesse cenário, investir em franquias exige preparo gerencial, capacidade de liderança e visão estratégica, temas que permeiam os painéis voltados à formação e ao desenvolvimento de franqueados.
A construção de marca e a centralidade do cliente também aparecem como pilares do crescimento sustentável. As discussões indicam que marcas fortes são resultado de consistência cultural, alinhamento entre franqueador e franqueados e experiência estruturada ao longo da jornada do consumidor. Fidelização e recorrência deixam de ser apenas metas comerciais e passam a ser indicadores de resiliência do modelo.
Ao reunir essas temáticas, a IFA Convention 2026 sinaliza um franchising global mais analítico, seletivo e orientado por performance. Acompanhar presencialmente essas palestras e debates amplia a capacidade de traduzir tendências internacionais para o contexto brasileiro, conectando reflexão estratégica à realidade das redes nacionais.
Lyana Bittencourt, CEO do Grupo BITTENCOURT – Consultoria especializada no desenvolvimento, expansão e gestão de redes de negócios e franquias
Você pode se interessar por isso: Abordagem, sangue nos olhos, faca na caveira? Até quando vamos continuar agredindo nossos consumidores?



Uma resposta
Parabéns!
Precisamos entender que o consumidor busca qualidade, inovação, excelência operacional e experiência.
O básico perfeito já não é mais suficiente.