A Receita Federal iniciou 2026 com uma mudança significativa para o comércio exterior brasileiro. No dia 5 de janeiro, foi publicada a Portaria COANA nº 180/2026, que estabelece uma nova cotação média do dólar utilizada para avaliar a capacidade financeira das empresas no Siscomex. O valor definido é de R$ 5,3076, calculado com base na média entre os anos de 2021 e 2025, e será aplicado durante todo o ano nas análises do órgão.
O que muda para os importadores
Essa cotação fixa não interfere diretamente no câmbio utilizado para pagamento de produtos e impostos, que continua sendo calculado pela taxa do dia. No entanto, ela é determinante para definir o limite do Radar Siscomex, sistema que estabelece o volume máximo de importações autorizado para cada empresa.
Na prática, significa que os importadores precisarão comprovar mais recursos em reais para manter ou ampliar suas operações. Por exemplo, uma empresa que deseja importar acima de US$ 150 mil deverá demonstrar capacidade financeira equivalente ao valor convertido pela nova taxa, ou seja, cerca de R$ 795 mil.
Receita Federal : Impacto no planejamento financeiro
Segundo Andreia Pedrosa, CEO da Linkmex e especialista em comércio exterior, a atualização reforça a necessidade de planejamento estratégico:
“A Receita trabalha com uma taxa fixa válida ao longo do ano. Uma cotação mais alta exige que o importador comprove mais recursos em reais para acessar o mesmo volume em dólares. Não é uma mudança que impede a importação, mas altera o planejamento.”
Empresas que se antecipam a esse tipo de critério conseguem estruturar melhor suas operações, evitar entraves no Radar e crescer de forma sustentável.
Reflexos para o comércio exterior
Com a nova cotação, o setor de importação passa a enfrentar desafios adicionais na gestão de capital. A exigência de maior comprovação financeira impacta diretamente:
- Decisões estratégicas de expansão;
- Planejamento financeiro das empresas;
- Capacidade de crescimento no mercado internacional.
A medida reforça o papel da Receita Federal em garantir maior solidez e segurança nas operações de comércio exterior, ao mesmo tempo em que exige dos importadores uma postura mais organizada e preventiva.


