Vamos falar de logística reversa. O fim das festas de Natal e Ano Novo não significa o encerramento da pressão sobre o varejo. Pelo contrário: o início do ano marca o começo de um novo desafio operacional — a temporada de devoluções. Se em dezembro os centros de distribuição e transportadoras enfrentam o pico de expedições, em janeiro e fevereiro o fluxo se inverte, colocando a logística reversa no centro das atenções.
Janeiro e fevereiro: o verdadeiro teste de estresse da logística
Segundo o relatório State of Logistics 2025, os primeiros meses do ano se consolidaram como um período crítico para o setor. O crescimento do e-commerce, aliado a políticas de troca mais flexíveis e ao direito de arrependimento previsto no Código de Defesa do Consumidor, impulsiona os volumes de devolução.
As categorias mais afetadas incluem:
- Moda
- Eletroeletrônicos
- Brinquedos
- Cosméticos
- Artigos para o lar
Esses segmentos concentram grande parte das vendas online no fim do ano e, consequentemente, geram altos índices de devolução, pressionando estoques, equipes de atendimento e transportadoras.
A complexidade da logística reversa
Diferente da expedição, o fluxo de devoluções é imprevisível. Produtos retornam em condições variadas, sem padrão e com baixa visibilidade. Isso torna processos como inspeção, triagem e reintegração ao estoque muito mais complexos.
“A experiência do cliente depende diretamente da rapidez no reembolso e da transparência no processo de devolução”, explica Hélcio Lenz, Managing Director LATAM da Infios.
Tecnologia como aliada estratégica
A pressão por eficiência tem levado líderes de supply chain a expandirem o uso de inteligência artificial e análises avançadas para além dos grandes picos de venda.
- Modelos preditivos: antecipam volumes de retorno por categoria e região.
- Motores inteligentes de decisão: definem o destino ideal para cada item devolvido (reestoque, recondicionamento, venda alternativa, doação ou descarte).
- IoT e monitoramento em tempo real: oferecem visibilidade sobre o trajeto e condições dos produtos devolvidos.
Essas soluções reduzem custos, aumentam a agilidade e melhoram a experiência do consumidor.
Centros de distribuição em transformação
Historicamente desenhados para maximizar a expedição, os CDs precisam se adaptar para lidar com inspeção, triagem e classificação de devoluções. O desafio é ainda maior diante de fatores como:
- Escassez de mão de obra qualificada
- Custos logísticos elevados
- Pressão por práticas sustentáveis
Como resposta, empresas vêm adotando robôs móveis autônomos (AMRs), sorters automatizados e picking por voz, integrados a sistemas de gestão de armazéns (WMS).
De custo inevitável a vantagem competitiva
O pós-Natal evidencia uma mudança estrutural: a logística reversa deixou de ser apenas um custo operacional e passou a ser uma capacidade estratégica.
Plataformas inteligentes de execução da cadeia de suprimentos — que integram transporte, estoque e análises — permitem que empresas gerenciem fluxos reversos de forma proativa, antecipando decisões e reduzindo perdas.
“O desempenho logístico não é mais avaliado apenas pelo quanto se vende em dezembro, mas por como o valor é recuperado em janeiro”, reforça Lenz.
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