Apostas digitais crescem no Brasil: 3,7 milhões de apostadores em um ano e riscos financeiros preocupam

Apostas digitais crescem no Brasil: 3,7 milhões de apostadores em um ano e riscos financeiros preocupam

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O universo das apostas digitais no Brasil vive uma expansão acelerada. Um estudo realizado pela klavi, fintech especializada em inteligência via Open Finance, revelou que 3,7 milhões de brasileiros apostaram ao menos uma vez nos últimos 12 meses — o dobro do registrado no ano anterior.

Embora o crescimento seja expressivo, os dados acendem um alerta: 18% dos apostadores já apresentam comportamento de alto risco, ou seja, deixam de cumprir compromissos financeiros para sustentar o hábito de apostar.

O que o estudo mostra

A análise envolveu o comportamento financeiro de 6,8 milhões de pessoas e trouxe insights importantes:

  • 53,6% da base analisada realizou apostas no último ano.
  • 18% dos apostadores estão em situação crítica, com orçamento comprometido.
  • Outros 11,6% apresentam risco moderado e 9,4% risco baixo, indicando que o problema pode evoluir negativamente.
  • O grupo de alto risco já soma mais de 600 mil brasileiros.

Segundo a klavi, os dados foram obtidos via Open Finance, permitindo observar em tempo real renda, gastos, frequência de apostas e uso de crédito. A partir dessas métricas, a fintech criou um Indicador de Risco de Apostas, capaz de identificar quando o hábito deixa de ser recreativo e passa a comprometer a saúde financeira.

A digitalização e o risco invisível

Para Bruno Chan, CEO e cofundador da klavi, a facilidade de acesso às plataformas digitais ampliou a vulnerabilidade:

“Apostar ficou mais fácil, mais rápido e mais invisível no dia a dia. Isso aumenta a vulnerabilidade de quem não tem alfabetização financeira para reconhecer sinais de risco.”

Chan destaca que a combinação entre inclusão digital e falta de educação financeira cria terreno fértil para hábitos compulsivos, especialmente em plataformas desenhadas para estimular recorrência.

Consequências econômicas e sociais

O impacto das apostas digitais vai além do orçamento individual:

  • Pessoas de alto risco têm 35% mais chance de se tornarem inadimplentes.
  • Há maior incidência de resgate de investimentos e redução de aportes.
  • O consumo no varejo diminui, reservas de emergência não são recompostas e bens pessoais podem ser vendidos para sustentar o hábito.
  • Cortes em gastos com saúde e atrasos em contas essenciais, como água, energia e internet, tornam-se mais frequentes.

Perfil dos apostadores

O estudo também revelou nuances etárias e sociais:

  • 18 a 24 anos: metade dos apostadores de alto risco pertence à classe C; 68% estão no Sudeste e Nordeste.
  • 25 a 34 anos: um terço apresenta algum nível de risco; 12% já estão em alto risco.
  • 35 a 54 anos: concentração no Sudeste e nas classes C.
  • 55 anos ou mais: risco médio cai, mas permanece elevado nas classes C, D e E.
  • 75 anos em diante: comportamento de risco se concentra mais nas classes A e B, embora 87% não apresentem risco.

Esses dados mostram que o risco se reconfigura ao longo da vida, acompanhando tanto a exposição digital quanto diferentes formas de lidar com incertezas financeiras.

A urgência da prevenção

Para a klavi, enxergar sinais de risco em tempo real é fundamental para proteger os usuários antes que a situação se torne insustentável. O estudo reforça a necessidade de educação financeira e ferramentas de prevenção para evitar que o hábito de apostar comprometa a saúde econômica de milhões de brasileiros.

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