Havaianas e o risco da comunicação em ano eleitoral: quando marketing vira política

Havaianas e o risco da comunicação em ano eleitoral: quando marketing vira política

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O que deveria ser apenas uma campanha publicitária de fim de ano acabou se transformando em um debate político nas redes sociais. A Havaianas, marca icônica no Brasil e no mundo, lançou um comercial estrelado por Fernanda Torres nos dias 21 e 22 de dezembro de 2025. A frase central — “não quero que as pessoas comecem 2026 com o pé direito, mas com os dois pés” — foi reinterpretada pelo público e ganhou conotações ideológicas inesperadas.

O episódio mostra como, em um ambiente pré-eleitoral altamente polarizado, qualquer mensagem ambígua pode sair do controle e gerar repercussões muito além do marketing.

Da propaganda ao debate político

O comercial rapidamente gerou críticas, discussões acaloradas e até movimentos de boicote nas redes sociais. Para conter a escalada, a Havaianas chegou a restringir comentários em algumas publicações oficiais.

Segundo Eduardo Schuler, CEO da Smart Consultoria, especializada em moda e calçados, o caso evidencia os riscos de comunicação em períodos de polarização:

“Quando a marca é transversal e faz parte da vida de diferentes perfis ideológicos, qualquer ambiguidade pode ser interpretada como posicionamento. Em ano pré-eleitoral, esse risco se intensifica.”

Concorrência ganha espaço

Enquanto a Havaianas lidava com o desgaste reputacional, sua principal concorrente no segmento de sandálias de borracha viu uma oportunidade inesperada. Em poucos dias, o perfil da rival no Instagram saltou de 510 mil para 893 mil seguidores, um crescimento de quase 75%.

Ainda não há dados consolidados sobre impacto em vendas, mas o movimento mostra como crises podem redirecionar a atenção do público para outras marcas sem que estas precisem investir em mídia.

Reflexos no mercado financeiro

O episódio também repercutiu na bolsa de valores. No dia 22 de dezembro de 2025, as ações da Alpargatas S.A. (controladora da Havaianas) caíram cerca de 2%, sendo negociadas a R$ 11,47. Embora fatores como baixa liquidez típica do fim do ano também influenciem, parte dos investidores associou o ruído político ao desempenho negativo.

Lições estratégicas para marcas

O caso Havaianas reforça alguns pontos cruciais para empresas com grande presença no cotidiano dos consumidores:

  • Neutralidade é cobrada: marcas consumidas por públicos diversos precisam ter cuidado redobrado em mensagens ambíguas.
  • Narrativas fogem ao controle: em tempos de redes sociais, a interpretação do público pode mudar o sentido da campanha.
  • Concorrência se beneficia: enquanto uma marca se defende, outras podem ganhar visibilidade sem esforço.
  • Impacto vai além do marketing: crises reputacionais podem afetar percepção de valor, confiança do investidor e até resultados financeiros.

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